domingo, 26 de junho de 2011

Um pouco disso...

"Veio num sonho, certa noite. Ela o amava. Ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo. Dormiam juntos, no sonho, porque era bom para um e para outro estarem assim juntos, naquele outro espaço. Não vinha nada de fora, nem ninguém. Deitada nua no ombro também nu dele, não havia fatos. Dormiam juntos, apenas. Isso era limpo e nítido no sonho que ela sonhou aquela noite.
Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo. Esse era o sonho, nada mais. E isso, mais tarde saberia, era o único fato do sonho inteiro: via o rosto dele muito próximo. Como um astronauta prestes a desembarcar veria a face da lua, mal reconhecendo o Mar da Serenidade perdido em poeira cinza, assim ela o via naquela proximidade excessiva, quase inumana de tão próxima. Fechasse os olhos - mas não os fecharia, pois já estava dormindo - guardaria contra as pálpebras cerradas um por um dos traços dele. (...)
Coisas assim, ela via. E de olhos abertos, embora fechados, pois sonhava, protegia-o, protegiam-se no meio da noite. Tão simples, tão claro. E de alguma forma inequívoca, para sempre. Talvez ele tivesse passado um dos braços em torno da cintura dela, quem sabe ela houvesse deitado uma das mãos sobre o ombro dele, erguendo os dedos até que tocassem no lóculo de sua orelha. Em todos os dias que se seguiram à noite daquele sonho, e foram muitos, honestamente não saberia localizar outros detalhes. Pois enquanto dormia, naquela noite, tudo era só e apenas isso: dormiam juntos."

quinta-feira, 12 de maio de 2011

  Mantém a Unidade no Coração.
E seu Mundo está em Paz.
Não tenta agradar
E, portanto, Brilha,
Não busca atenção
E, portanto, se Sobressai,
não se justifica
E, portanto, nela Confiam,
Não imita os outros
E é portanto ela Mesma,
Não compete
E, portanto ninguém no Mundo
Pode Superá-la.

terça-feira, 8 de março de 2011

Só uma resposta

Tendo o excesso da presença, esqueceu de sentir saudade.
A mente acostumada com o mesmo semblante sorridente, as mesmas idéias, as horas de sono, sempre ali.
Mas nunca imaginou acordar-se naquele sábado nublado, no qual você se agarraria àquele corpo. Sem o corpo, abraça agora a cama vazia, não tem voz de bom dia, nada além do sábado nublado.
Lembra da vez que foi perguntado se você sentia saudade, a mesma resposta fria, sem nada de coração, nada de nada.
-não.
Então pega o seu cigarro, vai até sua janela e vê, que não há mais ninguém ali, não por você.
Aquela música triste que você detestava ter que escutar enquanto jogava videogame, ela faz tanto sentido agora.
E nem os sorrisos, e nem as birras, e nem os motivos
indiretos para alterar o seu humor se fazem presentes.
Será que você faria diferente? Será que tem tanta certeza de que não sente saudade?
Como foi terrível você não perceber que para aquela  pergunta só existia uma resposta cabível, a resposta que nós esperamos de quem quer que diga nos amar.  
Sim, eu sinto a sua falta, embora você esteja presente a maior parte do tempo, eu ainda a amo, eu ainda sinto a sua ausência, as poucas vezes que ela se faz presente.
Ela certamente poderia viver muito mais da vida ao seu lado, mas não pode. Precisa de alguém que sinta sua falta.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Johnny Cash

"Meu grito foi tão abafado que só pelo silêncio contrastante percebi que não havia gritado. O grito ficara me batendo dentro do peito”.
A Paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Você já conheceu alguém...

 Com os olhos tão confessos

Water & Air

Paradoxo

As coisas estavam de alguma forma tão ruins, que qualquer indício de mudança seria bem-vindo.
Tão ruins que chega-se a estranhar algum ato de reconciliação, ou afeto, em vista dos acontecimentos e de suas respectivas consequências.
Bem, eu ainda poderia andar para a esquerda e para a direita, se eu quisesse. Eu poderia levar a minha antiga vida boêmia, eu poderia encontrar com toda sorte de vagabundos e valdevinos, mas eu ainda me mantenho no meio, ainda sigo a linha e, eu ainda possuo amarras.
Talvez não tenha sido tão bom, eu nem sei dizer ao certo, talvez nesse presente que acaba de passar, eu tenha conseguido algum motivo perdido pra continuar me abstendo de todas as outras coisas que me dão saudade. Porque eu não possuo boas lembranças do que veio antes de você estar aqui, eu sofri alguns arranhões, eu costmuva achar que eles eram incuráveis.
Bom, arriscar era o meu forte, talvez porque eu nao tivesse nada a perder, mas agora, eu acho que eu tenho a você, e eu não sei bem o que eu devo fazer para que as coisas entrem no eixo, na verdade nem sei que eixo é esse, eu só acho que nós poderiamos ser bem felizes, como se nossa inocência nunca tivesse nos abandonado.
E eu to ficando velha, mas sabe eu nem to crescendo, nem porra nenhuma, a única coisa que tá crescendo é esse nó na minha garganta, essa inquietação aqui dentro. 
  De vez em quando, bem de vez em quando, eu leio alguma coisa que escrevi faz tempo, naquelas paredes rabiscadas do meu quarto, e que agora já nem faz mais sentido, irônico dormir num quarto carregado de sentimentos que já não são meus, de textos que escrevi e esqueci de ler, do sentido que dei, e que deixou de ter, do que era perfeitamente inteligível e agora é simplesmente vago.
Amar, sofrer, aprender, amadurecer... 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Animais somos.

Rompeu a seda do casulo.
 A borboleta que até então desconhecia o significado de dor,
sentiu-a pela primeira vez ao olhar para luz que tanto almejava.
Foi difcil acostumar-se com ela, mas a vontade de ir adiante foi maior.
Então ela se acostumou com a luz, e pôde absorver tudo que de bom dela provinha.
Ela queria mais, agora  precisava de asas. Foi mais uma vez doloroso libertar-se da seda do casulo.
 E então ela tinha asas, precisava aprender a voar.
Já eram incontáveis os impecilhos e intermináveis as horas de dor.
Era essa sua visão sobre a liberdade? Perder a proteção contra os males do mundo?
 Ela já não tinha tanta certeza se queria aprender a voar  agora, tinha medo do que viria pelo caminho. Sentiu medo pela primeira vez. Mas já havia chegado até ali, não tinha a minima possibilidade de volta, o casulo não se fecharia novamente ao primeiro sinal de arrependimento. Já não havia nada a ganhar e perder, era só sobreviver e ela sentiu isso. O sonho havia acabado, haviam acabado os dias no casulo, o muro que a protegia do resto do mundo estava quebrado e por vontade dela própria. Então ela lançou corpo à baixo, fechou os olhos e deixou que a natureza a guiasse. 
Sentiu o vento que já conhecia em sonho e,do qual tinha saudade, o cheiro das flores, conheceu as cores, robusteceu, diante de todo o novo mundo que agora pertencia a ela também. Transformou-se. Voou.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Joan Baez :)

Go away from my window, leave at your own chosen speed.
I`m not the one you want, babe, I`m not the one you need...


sábado, 29 de janeiro de 2011

Que ciúme seja sinonimo de amor, e que seja saudável; que vc saiba agradecer a matéria que já não é mais útil, pois ela algum dia já foi de grande utilidade. Que vc reaprenda a confiar nos seus amigos, porque todos nós somos traídos alguma vez na vida, e temos que ter a coragem de continuar confiando. Que aquilo que te incomoda seja jogado pra fora, porque o que a gente prende, nos tira a paz por completo. Que aprenda que certos pensamentos não são de todo seus, e que o magnético e o alheio nos influenciam a todo momento, por isso devemos ponderar sobre tudo que realmente sentimos. E que vc descubra que é sempre bom demonstrar o amor pelos queridos, pois eles nem sempre estarão ao nosso lado, e pode ser que seja tarde quando vc decidir faze-lo. Eu quero que vc aprenda tanta coisa, e que vc seja tão feliz, que não há depoimento que descreva.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Frustrar-se

O rosto vermelho, o gosto amargo na boca,
o sentimento de que já havia pressentido o desenrolar da história,
o conhecer do final. Tudo decepcionante. 
O insistir no erro do qual já tinha consciência. 
Frustrar-se até perder toda a esperança, a ilusão, a vontade de tentar.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Começa o ano com a sensação de que é só mais um dia, não faz planos, 
finge pra si mesma ter esperança de que coisas diferentes acontecerão, 
mas nem ela mesma sabe qual é a mudança que quer ver.
A rotina mecânica, pelo menos, é a dor que ela já conhece.
Mas há algo diferente nessa total falta de ambição, o sorriso que enche
a cara, a calma com que dá os passos agora. 
Ela pode estar completamente perdida, mas está exatamente onde deveria estar.